Regata branca: de roupa íntima a ícone atemporal da moda

Poucas peças carregam tanta história dentro de um design tão simples. A regata branca nasceu como item militar, usada por soldados nas trincheiras e incorporada ao guarda-roupa civil quando eles voltaram para casa. Nos anos 1920, ganhou função prática: era vestida por baixo de camisas de colarinho para evitar marcas de suor, longe, ainda, de qualquer status de moda.

A virada aconteceu em 1951, quando Marlon Brando surgiu de regata em “Um Bonde Chamado Desejo”, tirando a peça de baixo da camisa e colocando-a no centro das telas. James Dean seguiu o mesmo caminho pouco depois em “Juventude Transviada”, associando definitivamente a regata branca a uma masculinidade rebelde e despojada, um símbolo que o cinema pós-guerra ajudou a consolidar.

Décadas depois, a peça cruzou fronteiras culturais. Freddie Mercury a vestiu com jeans no histórico show do Live Aid, em 1985, um dos looks mais lembrados (e mais sóbrios) de toda sua carreira. O hip-hop também abraçou a regata como símbolo de identidade, abrindo caminho para nomes como 2Pac. Já nos anos 2020, editoriais de moda revisitaram esse legado: em 2023, Paul Mescal estampou a revista ES Magazine em referência direta a ícones como Brando, Paul Newman e Rock Hudson.

Minimalista, democrática e sem esforço aparente, a regata branca prova que os maiores ícones de estilo nem sempre nascem grandiosos, às vezes, começam como algo simples demais para imaginar o que viriam a se tornar.