Nova York abre, Londres reage, Milão homenageia o artesanato e Paris fecha a temporada mais movimentada do ano
Fashion Month setembro 2026: os desfiles, estreias e retornos que definem a temporada SS27 em Nova York, Londres, Milão e Paris, e por que cada um importa.
Todo mês de setembro, a moda para o mundo inteiro por quatro semanas seguidas. Não é exagero: entre Nova York, Londres, Milão e Paris, mais de 250 desfiles e apresentações vão definir o que as vitrines internacionais e, por consequência, o que chega até a STIVALI, vão vender na primavera-verão 2027. A diferença este ano é que 2026 não é uma temporada de continuidade. É uma temporada de reestreias: marcas que sumiram do calendário estão voltando, e casas históricas estão colocando à prova diretores criativos que assumiram há poucos meses. Eis o que realmente merece sua atenção.
Nova York (10 a 15 de setembro): A temporada das estreias
A New York Fashion Week abre o mês com quase 70 desfiles e apresentações, um calendário mais enxuto que o de anos anteriores, mas também mais concentrado em nomes com peso comercial ou editorial real. O primeiro grande momento acontece já na manhã de abertura: Henry Zankov apresenta sua primeira coleção como diretor artístico da Diane von Furstenberg, uma casa construída em torno de uma única peça-símbolo (o vestido-envelope) e de uma ideia muito específica sobre como uma mulher se veste pela manhã. É o tipo de estreia em que todo mundo na sala está fazendo a mesma pergunta: ele entendeu o que essa marca representa?
A semana também marca a primeira aplicação total da política de proibição de peles da CFDA, um marco simbólico para a moda americana, e reúne dez estreias na grade oficial, incluindo Conner Ives (que viralizou com a camiseta "Protect the Dolls"), Magda Butrym (vinda de Paris e de uma colaboração global com a H&M) e o estilista indiano Sabyasachi Mukherjee, que retorna a Nova York depois de 17 anos com um desfile que amplia, de verdade, quais histórias ganham palco na moda americana. A semana fecha com o espetáculo teatral de sempre: Thom Browne, em 15 de setembro.
Por que acompanhar: é a única semana das quatro em que "estreia" e "expectativa" se encontram tantas vezes seguidas. E dá o primeiro sinal de como o mercado americano está lendo a temporada, cor, silhueta, o que os compradores estão dispostos a arriscar num momento de varejo nervoso.
Londres (17 a 21 de setembro): Duas voltas para casa
Se Nova York é sobre descoberta, Londres esta temporada é sobre retorno. Depois de seis anos fora das passarelas, a Mulberry volta ao calendário oficial da London Fashion Week no dia 20 de setembro, às 15h, com a primeira coleção de prêt-à-porter assinada por Christopher Kane, nome que já levou quatro British Fashion Awards e que ficou fora dos holofotes desde o encerramento de sua própria grife, em 2023. É o primeiro capítulo de uma estratégia declarada da Mulberry para reconectar a marca com identidade britânica e desejo, não só bolsas.
No mesmo dia, a Alexander McQueen também retorna ao calendário londrino, pela primeira vez em anos, depois de temporadas mostrando em Paris, com Seán McGirr apresentando masculino e feminino juntos, em sua primeira vez à frente da casa dentro do British Fashion Council.
Por que acompanhar: os dois retornos testam a mesma pergunta por ângulos diferentes, dá para reconstruir relevância de marca voltando para casa? Vale ver como o público (e o mercado) responde.
Milão (22 a 28 de setembro): Artesanato no centro do palco
Milão abre com um evento que, pela primeira vez, acontece na Itália: o Vogue World: Milano, no dia 22, transformando a Galleria Vittorio Emanuele II em palco a céu aberto sob o tema "The Human Touch in the Age of Technology", uma celebração direta do trabalho manual e do savoir-faire italiano. No mesmo dia, a Prada muda de posição pela primeira vez em anos e abre oficialmente a semana, às 14h, cedendo seu tradicional horário de meio de semana, um gesto que também é declaração: a marca hoje pesa o suficiente para abrir, não só participar.
A semana segue com a segunda coleção de Meryll Rogge na Marni, a terceira assinatura de Maria Grazia Chiuri na Fendi, o retorno da Gucci em casa e estreias de diretores criativos na Moschino (Loris Messina e Simone Rizzo). Como sempre, a Giorgio Armani fecha a semana, o ritual final de Milão.
Por que acompanhar: não há uma estreia isolada dominando a conversa este ano, e isso é, paradoxalmente, o que torna a semana mais reveladora. Sem um único nome roubando a cena, a atenção migra para o que realmente importa no médio prazo: continuidade, consistência de visão, se uma casa consegue parecer desejável sem depender do drama de uma estreia.
Paris (28 de setembro a 6 de outubro): O fechamento mais denso do ano
Paris encerra o Fashion Month com 68 desfiles e 33 apresentações, a edição mais movimentada da temporada, e reúne praticamente todos os nomes que a STIVALI acompanha de perto. Dries Van Noten mostra no dia 30 de setembro, num dos dias mais concorridos do calendário, ao lado de The Row, Balmain, Stella McCartney, Acne Studios e Tom Ford. No dia seguinte, 1º de outubro, é a vez de Rick Owens, sempre um dos momentos mais fotografados da semana, entre esculturas de tecido e uma estética que não pede licença a ninguém. A semana também traz uma presença japonesa forte (Issey Miyake, Yohji Yamamoto, Junya Watanabe, Comme des Garçons, entre outros) e o retorno de nomes como Valentino e Maison Margiela ao radar.
Por que acompanhar: é o fechamento que dá o tom real da temporada, depois de Nova York (descoberta), Londres (retorno) e Milão (consistência), Paris é onde tudo isso se organiza numa direção mais clara para o que realmente vai parar nas araras.
O que isso significa, na prática
Vale lembrar: O que desfila em setembro chega às lojas só na primavera que vem, o gap existe por razão de cadeia produtiva, não porque alguém vai se vestir assim amanhã. O que você vê este mês é, na prática, uma previsão filtrada pelo que os compradores estão dispostos a arriscar. Por isso vale acompanhar não só os desfiles, mas quem está comprando o quê, é aí que mora o próximo drop da STIVALI.
